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Economia colaborativa

Economia colaborativa

O consumo colaborativo é uma realidade e chegou para ficar. A crise financeira, as tecnologias móveis, o aparecimento da Internet das Coisas e as redes sociais fizeram emergir cenários insólitos quanto à forma que temos acesso a produtos e serviços.

Isso pode ser observado nas ruas de qualquer cidade, quando alguém entra em num veículo Car2Go, chama um Uber em vez de um táxi ou faz uma reserva pela plataforma Airbnb. Estas empresas, consideradas por muitos especialistas como os cavalos de Troia da economia colaborativa, consolidaram tendências de negócio multimilionárias em nichos inexplorados até a data.

Trata-se de serviços descentralizados, que permitem ter acesso em tempo real e sem nenhuma chave nem reserva prévia a frotas de veículos repartidos pela cidade —através de um app e em poucos minutos. Também permitem que qualquer pessoa disponibilize o seu veículo a outros usuários como parte de um serviço de transporte, ou permitem reservar casas de outras pessoas por dias ou semanas e em qualquer lugar do mundo. Este último serviço, com mais de 500.000 hospedagens diárias, é considerado a maior rede de hospedagem do mundo.

Mas o que entendemos realmente por consumo colaborativo?

A economia da colaboração é voltada para novos sistemas e plataformas tecnológicas. Permite aproveitar recursos e contratar serviços entre partes iguais que, de outra forma, não estariam a ser plenamente utilizados. Ela baseia-se no acesso ao produto, por um determinado tempo, omitindo o processo de aquisição; na realocação de produtos ou serviços quando já não são necessários; e, por último, na adaptação do estilo de vida do usuário para um modelo mais colaborativo, onde são trocados ou partilhados intangíveis como espaços, habilidades, conhecimentos, etc. Hoje em dia podemos encontrar exemplos claros em setores como casas, automóveis e transporte e ainda no âmbito da saúde.

Este novo modelo apoia-se em conceitos primários do comércio como a troca, a permuta, a manufatura, o leilão ou o aluguer de bens e serviços. No entanto, conseguiu  reinventar-se através de uma forte componente digital e uma alta proliferação das redes peer to peer (de pessoa para pessoa). Após o aparecimento destas, gerou-se um novo âmbito de oferta e procura que milhares de empresas e startups aproveitaram para adaptar as suas estratégias e linhas de negócio.

Que tipos de comércio colaborativo existem?

Já falamos dos gigantes do consumo colaborativo, mas existem vários exemplos de novas vias nesta cultura. O crowdfunding permite que pessoas com ideias ou projetos de qualquer tipo arrecadem financiamento público. A maior plataforma de crowdfunding no mundo é a Kickstarter.com, que desde o seu nascimento em 2009 conseguiu 2,7 bilhões de dólares de arrecadação nos EUA para mais de 115.000 projetos. Mas ainda há muito mais.

Outro imprescindível é o movimento maker, termo cunhado no âmbito da cultura "Faça você mesmo", que fez renascer a manufatura tradicional graças ao aparecimento de sistemas de fabricação digital —como as impressoras 3D—, que se desenvolvem graças a redes de conhecimento aberto, em espaços de participação colaborativa.

Também é interessante o aparecimento da peer production, ou produção particular, como a elaboração de peças tecidas artesanalmente, o cultivo de alimentos ecológicos, o desenvolvimento de cosméticos e inclusive a construção de kit cars, veículos que podem ser montados, peça por peça, em casa.

Outra fenda no modelo tradicional foi o aparecimento das finanças colaborativas e participativas, bem como as plataformas de capital distribuído, que representaram uma mudança no sistema financeiro atual. No caso do seguro, verificamos que as empresas de seguros se estão a adaptar e a aproveitar a oportunidade, proporcionando coberturas a estes novos modelos de negócio colaborativos. Outra das consequências foi o aparecimento de empresas Insurtech, voltadas para o conceito clássico de mutualidade, mas com uma forte componente digital que aproveita os novos ambientes tecnológicos.

Existem múltiplos modelos colaborativos, que vão além da mera troca ou compra e venda de bens, como as correntes de conhecimento aberto, as plataformas de formação MOOC (Massive Open Online Courses), ou as criações registadas com licenças Creative Commons e copyleft. Também são relevantes o aparecimento de moedas digitais como BitCoin e os bancos de tempo, onde a unidade de troca não é o dinheiro, mas sim o trabalho/hora.

Adaptação à mudança

O crescimento da economia colaborativa gerou controvérsias, já que a ausência de regulação sobre a concorrência e as lacunas da lei desfavoreceram os setores mais tradicionais. No entanto, o consumo colaborativo torna-nos participantes da mudança e demonstra como a colaboração entre as pessoas pode melhorar os processos e a qualidade das organizações. É neste ponto onde as companhias como a MAPFRE se devem adaptar às mudanças, procurando soluções em seguros que respondam às novas necessidades com o objetivo de não ficar para trás numa corrida que acabou de começar.